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Arquivo de maio, 2006

26/05/2006 - 01:32

Prateleira 002

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26/06/06 – Prateleira 02

Bom, aqui estamos em mais uma sessão prateleira. Lembre-se de que são apenas comentários e sugestões muito particulares. Discorde, apóie e comente. Vamos lá.

Música:

01. “A Voz e o Violão” de Djavan.

Esse disco de 1976 é o primeiro da discografia desse grande músico e compositor Alagoano. Sou um tanto suspeito para falar das coisas desse artista, pois quem conhece meu trabalho sabe bem que Djavan é uma de minhas principais influências. Tinha eu meus 14 ou 15 anos de idade quando, com atenção, ouvi esse disco pela primeira vez. É um trabalho simplesmente primoroso. Um tratado de samba e brasilidade, com harmonias inusitadas, violões hipnotizantes e belíssimas composições. Aliás, comecei a me interessar por tocar violão após ouvir esse disco e “Zona de Fronteira” de João Bosco (que com certeza comentarei em breve). O repertório inclui o sucesso Flor de Lis, Na Boca do Beco, Maçã do Rosto, Pára-Raio, E Que Deus Ajude, Quantas Voltas Dá o Mundo, Maria das Mercedes, Muito Obrigado, Embola a Bola (Cateretê), Fato Consumado (segundo lugar no Festival da Globo de 1975), Magia e Ventos do Norte. Djavan certamente deve ter surpreendido muita gente com esse seu album debutante cheio de ginga e balanço. Mais um grande trabalho de um grande nome da música brasileira. Um fato interessante é que o disco foi relançado mais tarde com uma outra capa (que traz a foto de uma flor de lis no lugar da foto do jovem compositor).

02. “Brown Sugar” de D’Angelo

Mais um primeiro disco inesquecível. Nessa sua estréia de 1995, D’Angelo avisa que veio para mexer com as estruturas do R&B americano, tornando-se assim um dos representantes de peso do movimento “new-soul” do início daquela década (junto com nomes como Maxwell, Guru Jazzmatazz e Erykah Badu). Com o sucesso da canção “Lady” atingindo a lista top 10 da Billboard o disco ganhou notoriedade internacional e trouxe à tona essa interessante mistura de acid jazz, funk e soul. Os arranjos passeiam por influências de Stevie Wonder, James Brown, George Benson, Prince e outros feras do “groove”. É um disco que serve tanto para momentos calorosos (vocês sabem o que quero dizer…) como para relaxar e curtir o som sozinho. Traz programações e arranjos vocais excelentes, muita ginga, bom humor e sensualidade. Eis o repertório: Brown Sugar, Alright, Jonz in my Bonz, Me and Those Dreamin’ Eyes of Mine, Shit Damn Motherfucker (engraçadíssima), Smooth, Cruisin’, When We Get By, Lady, Higher. Só para registrar, o segundo disco “Voodoo” de 2000 também é espetacular (falo mais dele em outra ocasião).

Livro:

“Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago – Semana passada falei de um grande autor Espanhol (Cervantes), agora permaneço na peninsula Ibérica indicando uma obra de um grande escritor Português. O livro foi publicado pela primeira vez em 1995 e logo tornou-se um grande sucesso editorial ao redor do mundo. A história conta as mazelas de uma sociedade que é estranhamente acometida por uma epidemia de uma diferente cegueira branca. Um por um, todos vão perdendo a visão e aprendem, da pior maneira possível, como o caos social é banal e facilmente estabelecido. A falta do sentido visual dá lugar a uma total e generalizada falta de senso e razão no convívio com os outros (sabemos mais ou menos o que é isso, principalmente pelas demonstrações de desordem e desespero dos eventos que atingiram o ápice no dia 15 de maio aqui mesmo em São Paulo). Saramago soube retratar bem nessa obra a natureza humana. É um livro muito interessante e fácil de ler, com a vantagem de ter sido escrito em nossa língua natal, dispensando assim a busca por boas traduções. A edição que tenho em casa é a sétima reimpressão da Companhia das Letras de 1998 e traz na capa a “Reprodução Proibida” do pintor René Magritte.

DVD/VHS:

“O Poderoso Chefão (The Godfather)” de Francis Ford Coppola
Nesse clássico de 1972, o diretor Coppola cria a principal referência cinematográfica sobre a máfia. Marlon Brando, o jovem e ainda desconhecido Al Pacino, Robert Duvall, James Caan, Talia Shire, Diane Keaton e grande elenco protagonizam um dos melhores filmes já produzidos sobre o assunto. A história é uma adaptação do romance homônimo de Mário Puzo (que assina junto com Coppola o roteiro do filme), e fala sobre a vida do “cappo” Vito Corleone, de sua família e de outros mafiosos de origem ítalo-americana em Nova Iorque. Apesar das dificuldades que o diretor teve no início das filmagens (principalmente a discussões com o estúdio Paramount sobre a escalação do elenco), “O Poderoso Chefão – Parte I” beira, na minha modesta e amadora opinião, a perfeição. Tudo é memorável; atuações, roteiro, figurino, direção, fotografia e música (assinada por Nino Rota). Contém cenas inesquecíveis como a da cabeça ensanguentada de cavalo, a do assassinato de Sonny Corleone no pedágio e a da laranja na boca de Don Corleone no final de sua vida. Traz ainda interessantes curiosidades: a Paramount quase rejeitou a participação de Al Pacino por este ser ainda um ator inexperiente. Diz-se que Robert de Niro (que atua no segundo filme da trilogia como o jovem Vito Corleone) fez testes para fazer um dos filhos da família Corleone e acabou rejeitado. A parte 2 também é muito boa. A parte 3 é a menos comentada e, francamente, a menos empolgante.

Por hoje é isso. Semana que vem deixo outras dicas. Espero que sejam úteis. Por favor comentem. Grande abraço, J.O.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/05/2006 - 02:04

Prateleira 001

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Bom, com o final de semana se aproximando, arriscarei aqui algumas dicas particulares sobre música, cinema e outras coisas. Tenham em mente que estas são opiniões muito próprias e subjetivas, e que vocês não só podem desgostá-las como também devem revidá-las (ou apoiá-las) em seus comentários. Muito bem, aí vão:

Múisca:
Nessa semana indico dois de meus discos prediletos. O primeiro, Kind of Blue (gravadora Columbia) do saudoso trompetista Miles Davis. Esse disco foi gravado em março e abril de 1959 (!) em Nova Iorque. Fala-se que Miles, Julian Adderly (saxofone), Wyn Kelly e Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria) gravaram o disco sem nenhum ensaio prévio. Foi tudo na base da espontaneidade e do improviso. O resultado é uma primorosa fluência de harmonias, temas melódicos, solos, ginga e “swing”. Obra prima do jazz. O disco traz as faixas So What, Freddie the Freeloader, Blue in Green, All Blues e Flamenco Sketches. Clima tranquilo para você relaxar, ouvir e curtir.
O segundo disco é o excelente Elis & Tom, obviamente de Elis Regina e Tom Jobim. Esse disco influenciou e continua influenciando muitas gerações de músicos brasileiros e internacionais. Foi gravado entre fevereiro e março de 1974 em Los Angeles (EUA) e produzido por Aloysio de Oliveira. O time é simplesmente espetacular com César Camargo Mariano (piano e arranjos), Luizão Maia (baixo), Helio Delmiro e Oscar Castro Neves (violões/guitarras), Paulo Braga (bateria) além desses dois grandes mitos da música brasileira. O que impressiona também é saber que o disco foi todo gravado em apenas 2 semanas. Contém canções consagradas do eterno maestro Jobim (e de seus parceiros Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Aloysio de Oliveira) e interpretações inesquecíveis da “pimentinha” Elis e do próprio Tom. O repertório traz a antológica gravação de Águas de Março, Pois É, Só Tinha de Ser com Você, Modinha, Triste, Corcovado, O Que Tinha de Ser, Retrato em Branco e Preto, Brigas Nunca Mais, Por Toda a Minha Vida, Fotografia, Soneto de Separação, Chovendo na Roseira e Inútil Paisagem. É um disco simplesmente imprescindível para quem aprecia música brasileira. Foi recente remixado e remasterizado (sob a supervisão de César C. Mariano) e relançado pela gravadora Trama.

Cinema:
Vou indicar algum filme que vi recentemente e que ainda possa estar em cartaz. Gostei bastante da comédia “Terapia do Amor” do roteirista e diretor Ben Younger com Meryl Streep, Uma Thurman e o competente novato Bryan Greenberg. O trio atua de forma natural e bastante convincente, envolvendo o espectador com despretensão e ótimo humor. Dei boas gargalhadas. O desfecho é um tanto inesperado. Não é nenhum tratado de filosofia mas agrada e diverte.

Livro:
Recentemente terminei de ler “O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote da Mancha” (editora Record; essa edição reúne parte da obra completa). São quase 600 páginas de muita diversão nesse clássico da literatura universal. Não há como descrever a sensação de acompanhar as aventuras desvairadas do “Cavaleiro da Triste Figura” D. Quixote e de seu fiel escudeiro Sancho Pança. Se não me engano, ano passado essa obra-prima de Miguel de Cervantes completou quatrocentos anos de vida com muito vigor, sendo ainda extremamente atual e relevante.

É isso; espero que essas dicas sirvam para alguma coisa. Tentarei atualizá-las semanalmente sempre que o fim-de-semana estiver se aproximando (e sempre que meu tempo permitir). Gostaria que vocês contribuissem com suas próprias opiniões e dicas nos comentários. Obrigado e tenham um ótimo final de semana. Música na Alma.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/05/2006 - 00:12

Primeiro Texto

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Hoje (segunda-feira 15-05-06) presenciamos em São Paulo um verdadeiro absurdo. Para quem nunca havia entrado em contato direto com o clima de guerra, a capital (junto com outras cidades do Estado) foi um triste cenário de caos e pânico muito parecido com o que alguns de nós só tinha visto pela TV até então. Se tudo foi real ou gerado por boataria inconsequente, não importa muito. O que sabemos é que a maior cidade do Brasil e da América do Sul congelou perante ao crime, à ameaça e ao ódio. Pessoas assustadas (inclusive eu) fugiam como se um ataque de bomba nuclear estivesse anunciado. A impotência tomou conta; justo durante e após a comemoração do dia das mães (dia que simboliza, entre outras coisas, o respeito e a compaixão).
Muitos dizem que o Brasil é abençoado por não ter expressivos desastres naturais ou por ser um país que, optando geralmente pela prática da boa vizinhança, afasta de si situações internacionais de guerra. Por hora, consigo até enxergar a tal benção nessas questões; mas e o resto? E nosso desempenho como cidadãos brasileiros? E essa guerra civil disfarçada que nos acomete há tanto tempo? A corrupção, a desigualdade, o descaso e o clima de banditismo e medo que domina quase todos os Estados de nossa nação geram as mais temíveis das batalhas. Nessa situação, somos todos responsáveis (ou melhor, irresponsáveis). Assim como a “vista-grossa” do sistema penal diante da utilização de celulares nas cadeias, permitindo que presos perigosos continuem a comandar remotamente suas redes de crime, nós também colaboramos com atitudes cegas e negligentes. O tal “jeitinho” brasileiro do cada-um-por-si já se mostrou completamente inadequado para nossa (ou qualquer) sociedade, mas, infelizmente, ainda impera em várias situações. A desigualdade social, a corrupção, os sistemas falhos de moradia, saneamento, educação e saúde são alguns dos temas que preferimos empurrar para debaixo do tapete a tentar resolvê-los como cidadãos responsáveis. Certas coisas nos incomodam por um tempo, mas se há uma solução paliativa e imediata (nem sempre eficaz), logo nos esquecemos do real motivo do problema. Tem sido assim desde sempre. Veja o que acontece com o caso do mensalão por exemplo. A copa vai chegando, as eleições vão se aproximando e aquela situação seríssima vai se transformando em nada. A população quer honestidade e respeito, mas não quer realmente cobrar por isso. Alguns dizem: “Se eu não consigo nem controlar um direito só meu em casa ou no trabalho, imagine um que pertence a toda uma sociedade. Dá muito trabalho; tenho mais é que cuidar de mim!” E nessa preguiça egoísta a gente segue convivendo com situações iguais à essa do pânico em Sampa. Tapa-se o sol com peneira larga.
Sem falar na pseudo-inocente conivência com o crime, a impaciência e o ódio. As pessoas apavoradas de hoje são, em muitos casos, as mesmas que alimentam o comércio e o tráfico de drogas, espalham mensagens de preconceito e ódio pela internet (vide a quantidade de comunidades Eu Odeio Alguém no orkut) e banalizam a violência atráves de suas atitudes no trânsito ou em uma simples fila de banco. Não me isento dessa culpa, não. Faço parte de uma juventude brasileira egoísta, consumista e inoperante que não enxerga relação entre ato e consequência. Isso há de mudar. A sensação de impotência que senti hoje não pode e nem deve desaparecer no “tique-taquear” das horas. Democraticamente, devemos cobrar às autoridades sim, mas acima de tudo, devemos cobrar a nós mesmos. Perdoe-me por escrever um texto tão longo logo na estréia de meu blog. Não teve muito a ver com minha música, mas teve tudo a ver com minha casa, minha São Paulo, meu Brasil. (J.O.)

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