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18/08/2009 - 16:52

Dicas do “Gel” sobre literatura

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Rapaziada, aqui vai uma outra colaboração muito legal de meu amigo Daniel Diniz, o “Gel”.  Agora ele fala sobre literatura.  Por favor comentem.  Música na alma, J.O.

“Leituras leves e desencanadas”

Hoje estou animado com o post, então queria comentar sobre alguns livros bacanas que li desde o ano passado, todos relacionados com música. Historicamente não sou um bom leitor.  Na verdade nunca fui fã de literatura; na escola, para terem idéia, lembro-me de dois livros que me marcaram: Um Certo Capitão Rodrigo, do Érico Veríssimo, porque na década de 80 teve uma minissérie na Globo chamado O Tempo e o Vento, da qual esse livro fazia parte (se não me engano era uma trilogia).  Well, o que interessa é que curti muito o livro porque havia visto e adorado a minisséria na TV antes.  Outro livro foi O Boca do Inferno/Bocage, do Gregório de Matos. Esse marcou pela putaria, palavrões e besteiradas que rolavam no período colonial no Brasil, enfim, tudo o que um bom adolescente gosta e eu curtia muito …hehehehe.

Anos depois eu voltei a tentar  a ler e o livro que escolhi foi Chatô de Fernando Morais – a biografia do Assis Chateaubriand, o verdadeiro Rei das Mídias, Imprensa, Cultura e Arte, Aviação … o verdadeiro Rei do Brasil. Muito antes do Roberto Marinho, do Sílvio Santos veio o Chatô. Levei quase 6 meses para ler, livro grosso, que levava quase todos os dias para a faculdade, mas mesmo levando tanto tempo para ler, não esqueci de nada do que li.  Realmente uma figura marcante; antecipou em anos o que Sarney veio a fazer ao mudar de domicílio eleitoral, representou o Brasil no exterior de maneira caricata, esteve ao lado dos comunistas, dos ditadores, desafiou o governo militar, trouxe a TV para o Brasil, ajudou com a criação do Masp.  Muitos aviões foram comprados no Brasil devido ao seu incentivo. Muitas vezes esses incentivos nas diversas áreas onde atuou eram feitos de modos peculiares, com ameaças; desde difamação até agressões físicas. É um cara para se admirar, para o bem e para o mal, esse é o cara. Quem mais teria culhão de chamar Getúlio de Vargas de “Ditador” no trato pessoal ??? Ou pendurar uma bandeira da União Soviética na frente de casa, em plena avenida movimentada e nobre em São Paulo ??? Sim, somente ele, Chatô.

Novo intervalo grande e em 2008 resolvi reiniciar minha aventura literária.  Dessa vez pensei com meus botões: “Que assunto mais gosto?” – “Música, certo ? Então vamos ler sobre música !”

O primeiro livro que comprei foi a autobiografia de Eric Clapton.  Poxa, um livro muito legal; claro que a parte da infância é muito chata, não anda, mas assim que ele começa sua carreira o livro fica muito interessante.  O mais legal é que não é um livro chapa branca; ele tem autocrítica, sabe do que fez de bom e ruim, não fica fazendo média com as pessoas com quem conviveu, comenta sobre passagens importantes em sua vida e carreira, relacionamentos, problemas com o álcool e drogas, fala sobre as mortes de pessoas próximas a ele, inclusive é tocante o carinho que ele tinha pelo Jimi Hendrix, coisa que eu não imaginava … já que não tinha idéia dessa proximidade entre ambos. Realmente um grande recomeço para minha carreira literária …hahahaha e uma verdadeira aula sobre um dos maiores ídolos do rock e blues.

Depois parti para Vale Tudo: Tim Maia, delicioso livro escrito pelo Nelson Motta.  Outro livro sem o carimbo de chapa branca.  Um livro escrito sobre um grande amigo dele, com riqueza de detalhes, passagens hilárias, um livro para ler e relembrar, pois são histórias engraçadíssimas, de um músico que todos nós tínhamos um grande carinho.  Eu sou bem sincero, conheço muito pouco da sua obra, conheço o que tocava em rádio, novela, mas que eu deveria me embrenhar, especialmente nas fases soul e funk dele.  Não gosto do lado “romântico”, muito brega para o meu gosto, mas o assunto é o livro e nele você encontrará uma pessoa rara, que não estava nem aí para ninguém e para nada, curtia suas “Rê Bordosas”após suas festas regadas a pó e whisky, não estava nem aí para os processos que sofria, realmente um fora-da-lei, mas com um carisma imenso. Diversão, é isso o que posso dizer do livro !!!

Alguns outros livros interessantes que li foram: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band – Um Ano na Vida dos Beatles e Amigos, de Clinton Heylin.  Um livro muito bacana, pois assim como muitos, tenho o Sgt. Pepper’s como o disco que mais gosto e admiro dos Beatles e, nesse livro, o autor desmistifica um pouco o disco, que para muitos é considerado como o melhor já feito na história do rock. Aqui ficamos sabendo que era para ser um disco temático, que a grande força por trás do livro é Paul Mccartney, que na época passou a freqüentar grupos de intelectuais, que John Lennon estava se afundando em drogas e pouco contribuiu (quer dizer, não podemos dizer “pouco” para quem nos deu A Day in the Life).  Mostra também no mesmo período o que outras bandas contemporâneas estavam fazendo, Stones, Pink Floyd, Who, Beach Boys e todo o cenário psicodélico e as relações entre as bandas. Para quem ama Sgt. Pepper’s, você vai odiar o autor …rs, mas para quem gosta de aprender sobre os bastidores da música, um grande livro.

Há um outro livro chamado Uma Temporada no Inferno escrito por Robert Greenfield, ex-repórter da revista Rolling Stone.   Retrata como foi a gravação, no Sul da França, do álbum clássico dos Stones, Exile on Main Street.  Todas as orgias, consumos colossais de drogas (todos os tipos), crimes, presença de vigaristas, acidentes, incidentes, mortes e também música, claro. Um relato de quem viveu de perto toda a loucura de uma época marcada pelo excesso da maior banda de rock da época e quem sabe da história.

Li também um livro sobre o promotor de shows, empresário, agitador cultural, Bill Graham – “Minha vida dentro e fora do Rock”. Foi Bill quem começou a profissionalização da organização dos shows, grandes turnês, casa de shows com estrutura decente, realmente um grande empresário antes de tudo. Um livro que revela muito dos bastidores do rock, desde a década de 60 até 1991, quando Bill morreu em um acidente de helicóptero ao sair de um show. Foi o responsável pela primeira turnê de caráter mundial e de grandeza dos Stones no início dos anos 80.  Promoveu as primeiras grandes turnês de bandas em grandes estádios ao redor do mundo. Um cara amado e odiado no meio musical, mas mais um livro muito bom para aprendermos como as coisas funcionam em seus bastidores.

Recentemente li 2 livros muito legais: “Mais pesado que o Céu”, quase uma biografia de Kurt Cobain.  Um livro muito legal de se ler.  Mais uma vez temos que passar pela parte chata que é a infância do artista, mas no caso de Cobain vale a penas, pois percebemos o quanto ele era manipulador e inventava histórias sobre sua infância, para justificar algumas de suas atitudes, assim como o seu vício absurdo em heroína. Percebemos que se ele não tivesse dado um tiro na cabeça, teria morrido cedo ou tarde de overdose. Amo Nirvana, assisti-os no Hollywood Rock no Morumbi, o famoso show onde eles trocaram os instrumentos no palco; onde ele saiu engatinhando do palco amparado por uma loira, que anos depois descobri que era a Courtney Love, mas que no fim das contas foi um grande babaca.  Se enfiou na heroína e não teve força e nem quis sair do vício e sempre usava alguma desculpa para manter o vício. É um livro bem legal também para tirarmos um pouco da culpa de Courtney Love sobre o vício de Kurt.

O outro livro que li e queria comentar é: “Mate-me, por favor !” Um livro divertido de ler; relata toda a história do surgimento do Punk Rock nos EUA e Inglaterra, com relatos de todos os principais integrantes do movimento, incluindo cantores, bandas, groupies, traficantes, seguranças, empresários, etc. Lendo o livro, a impressão que passa é que todos foram viciados em drogas, gays, cafetões, bandidos, mas que curtiam todo o movimento e se divertiam com ele. Histórias muito engraçadas, algumas histórias contadas por diferentes pessoas, por diferentes ângulos, mas sempre interessante e divertido. Um livro que curti muito e li rapidinho, o que é bom sinal, certo ?

Têm dois livros que quero comprar, um é o “A Vida até parece uma Festa”, sobre os Titãs e o outro é o “Dias de Luta”, sobre o rock brasileiro da década de 80 e que foi muito bem recomendado por um amigão.

Acho que ficou muito grande esse post, mas queria dar essas dicas para vocês que gostam ou não de ler … música é sempre bom, mesmo quando não é feita para se ouvir.

Abraços !!!  Gel.

Escrito por Daniel Diniz

Autor: - Categoria(s): Música Tags: , ,
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